Ancestralidade

A conexão com a nossa ancestralidade está intimamente relacionada com a nossa vida neste plano material, e em como trilhamos os nossos caminhos nesta Terra. Não é possível falar sobre espiritualidade, ou sobre qualquer assunto que perpassa a nossa existência, sem falarmos dela. 

Nossa ancestralidade são as nossas “raízes”, é o que nos sustenta neste plano terreno. A conexão com a ancestralidade nos dá vitalidade, força, determinação, bravura e coragem para desbravarmos e trilharmos os caminhos desse plano de existência. 

Se não temos a consciência dessa conexão ancestral, se temos pendências, questões mal resolvidas ou mal elaboradas internamente, traumas, bloqueios, rancores, remorsos, ressentimentos, mágoas com nossos progenitores, cuidadores ou com a nossa ancestralidade no modo geral, perdemos a nossa vitalidade, a força, a garra, a coragem e bravura, a determinação de caminhar nesta terra. Ficamos apáticos ou alheios a vida e a nossa existência. Não conseguiremos ter objetividade, finalizar ciclos, projetos, materializar ideias nesse plano físico. 

No fundo, ter algum tipo de bloqueio ou algum nível de negação para com a nossa ancestralidade é, também, de forma inconsciente negar nosso DNA, células e o nosso corpo físico, portanto, negar a nossa própria existência nesse plano terreno.

Não é à toa, por exemplo, que o processo de aculturação sofrido pelos negros escravizados em que lhes foram apartados de seus territórios, rompidos ou fragilizados em suas identidades, linguagens, religiosidades e ancestralidade africana, facilitou a sua submissão e escravização pelos homens brancos.

Muitas tradições nativas e ancestrais tinham consciência da importância que a ancestralidade exercia sobre sua caminhada aqui na terra. Muitas culturas nativas tinham e ainda tem como prática rezar as sete gerações passadas e as sete gerações futuras, entendendo que a sua existência é um fluxo no contínuo espaço/tempo adimensional e atemporal em que passado, presente e futuro se condensam e se manifestam no aqui e agora. Tudo o que se faz aqui e agora, reverbera em nosso passado e em nosso futuro.

Contudo, precisamos entender o tempo para além de uma perspectiva ocidental, onde ele é estabelecido e medido e narrado de forma linear: passado, presente e futuro. Aos poucos a ciência vem compreendendo uma nova perspectiva sobre o tempo. Para outras tradições nativas e ancestrais principalmente, a sua relação com o tempo não se dá de uma forma linear, mas em um fluxo contínuo, cíclico, onde o presente, passado e futuro se entrelaçam, interagindo e se manifestando no agora. E que a sua própria existência foi e está sendo rezada há sete gerações “passadas” pelo seus ancestrais.   

Essa potência energética ancestral está condensada, não à toa, em nosso chakra raiz, na base da nossa coluna vertebral. É por este chakra que nos conectamos com nossos ancestrais, com nossas raízes. É por ele também que nos conectamos à Mãe Terra e toda a sua sabedoria. Com os cristais e elementos inorgânicos que constituem nosso corpo físico.

Costumo dizer que todo processo de cura, iniciação, desenvolvimento espiritual ou expansão da consciência, ou até mesmo a concretização de um projeto material que tenhamos idealizado se passa primeiramente, querendo ou não, por nossas raízes. Como ela está, como está sendo nutrida e cuidada. 

Estar bem resolvido com nossas raízes, com nossa ancestralidade, no entanto, não quer dizer uma submissão alienada aos nossos ancestrais como sinônimo de respeito, uma plena concordância com suas atitudes e características que por motivos diversos, não concordamos. Mas sim, ter em nós um espaço interno para elaboração de memórias mal resolvidas, de ressentimentos, traumas, bloqueios, rancores, por meio de práticas diversas como terapias, práticas espirituais, meditação e autoconhecimento, nos possibilitando assim, ter acesso a esses conteúdos acima mencionado que quase sempre estão à margem da nossa consciência, armazenados em nosso inconsciente.

O processo de autoconhecimento, por meio de diversos caminhos possíveis, possibilita a liberação de crenças limitantes, bloqueios, traumas, rancores, ressentimentos dentro das condições do indivíduo e consequentemente nos conectando com a nossa força ancestral e sua sabedoria. 

Honrando nossa ancestralidade estaremos honrando nossa vida e nossa existência. Potencializando nossas capacidades, abrindo, assim, nossos caminhos para manifestarmos nossa essência e nosso propósito divino neste plano de existência. Para subirmos aos mais altos céus, precisamos ter raízes profundas e bem firmadas.

Escrito por José Sandino


José Sandino

Meu nome é José Sandino, sou terapeuta ThetaHealing há 11 anos. Amante das filosofias kemética, budista e da filosofia e espiritualidade xamânica ameríndias. Descendente de Quilombolas e Ciganos. Estudante do calendário Maya Tzolkin. Ecologista, atuante na área da agroecologia. Membro e atuante do movimento Ciclovida e do movimento artístico cultural de teatro, música e poesia Caricultura. Graduando em Humanidades.

“Sou um Viajante das Estrelas e um Navegante dos Grandes Mistérios”.

Publicado por Nivartan

Considero-me um observador cuidadoso, otimista racional, de humor volátil, mas que vem trabalhando o amor em todas as suas possibilidades, buscando sempre ser honrado, justo e valente.

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